Top 6 alimentos-estereótipo que a sua Nutricionista não come

Há muito que o conceito de um estilo de vida saudável conquistou a sociedade e passou por várias mudanças, ganhando cada vez mais destaque na nossa lista de prioridades. Começou tudo com – está na moda até chegar ao outro extremo, o chamado fanatismo alimentar, onde tudo é visto e revisto, calculado e somado, as pobres calorias que fazem a conta total no final do dia. Estamos desesperados por comer os melhores alimentos, as opções bio, ultra-finas, sem manipulação, pobres em gordura, sem adição de açúcar, aditivos e pesticidas. As grandes industrias souberam tirar partido das nossas exigências, dos nossos medos e dos pontos fracos da alimentação, para criar produtos considerados saudáveis e de qualidade com o intuito de facilitar a vida de cada um de nós.

Hoje, contudo, precisamos de consumidores críticos, que questionem um pouco mais o que está dentro de uma embalagem verde amigável que grita 100% sabor e 100% saudável. Saiba que existem inúmeros produtos supostamente saudáveis mas que na realidade não o são. Seleccionamos alguns deles para explicar tudinho, sem cores nem hesitações:

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Compotas e doces de fruta light

A minha mãe fazia os doces de fruta caseiros com fruta fresca e uma dose generosa de açúcar. Era para dar consistência e sabor claro! Hoje encontramos tais produtos com metade do açúcar do antigamente, pois a industria soube usar gelificantes para dar consistência utilizando assim menos açúcar. Até aqui tudo bem. Mas não ficou por aqui, o açúcar, a nossa amiga sacarose (dissacarido formado por glicose + frutose), foi substituída pela frutose (monossacarido presente em pequenas quantidades nas frutas), ora outro açúcar! A frutose obtida através do xarope de milho invertido, passou a ser o açúcar barato mais utilizando na industria. E daqui tudo mudou. Tudo hoje tem frutose ou xarope de milho invertido, algo assustador a verificar nos rótulos das prateleiras dos supermercados. Um exemplo – os doces de fruta light,  são bombas de frutose que apreciamos e consumimos mais porque acreditamos serem saudáveis.  É importante salientar que o consumo regular e excessivo de frutose está associado ao aumento da resistência à insulina, do ácido úrico, dos triglicéridos séricos e da adiposidade intra-abdominal, esta por sua vez factor de risco independente para as doenças cardiovasculares.

Chips de legumes

Ora digam-me qual é o problema das batatas fritas? São as batatas? Claro que não. As batatas fritas são um alimento processado a evitar pelo seu alto teor de gordura (…. e sal) que advém da sua fritura. A moda agora é escolher os chips de legumes como beterraba, cenoura, batata doce, etc, fancy vegetables, que na realidade são preparados da mesma forma que as coitadas das batatas, fritas em óleo pois! Vá as prateleiras do supermercado, faça a comparação entre os rótulos destes produtos e não se deixe mais enganar. Em vez disso, tente fazê-las em casa, assadas no forno com ervas aromáticas e pouco sal.

Granola

Alguém ai que vá ao google e pesquise pela palavra granola? Como é produzida? A granola é composta essencialmente por pequenos aglomerados de flocos de aveia tostados com açúcar/mel e gorduras, onde posteriormente são adicionados frutos desidratados e/ou oleaginosas como nozes, caju, amêndoas, etc. Nas redes sociais não podia ser melhor vista, consumida e recomendada como um produto saudável, é a estrela do mundo virtual. Afinal qual é a diferença entre a granola e os flocos de aveia ao natural? As diferenças nutritivas são significativas nomeadamente no teor de gordura e adição de açúcares simples. E mais uma vez, leia os rótulos!

Batidos proteicos em pó

Um adulto saudável e activo que tenha uma alimentação equilibrada consegue obter através da alimentação a dose diária recomendada de proteínas. Digo mais, a maioria dos portugueses ultrapassa e muito a quantidade diária recomendada de proteínas. Então e os batidos proteicos? São pós essencialmente ricos em proteínas isoladas de origem animal, maioritariamente caseína (a proteína presente no leite de vaca) que vieram impor a sua importância num regime alimentar saudável e equilibrado. O consumo incorrecto deste batidos pode causar aumento de peso, pois o excesso de proteínas no nosso organismo é transformado em gorduras e armazenadas no tecido adiposo. Não esquecer, que o nosso organismo não processa mais de 2,2g de proteínas/kg peso por dia, mesmo em atletas, sendo o excesso processado e eliminado pelos rins, exercendo assim uma sobrecarga renal que ao longo do tempo pode ter impacto negativo sobre a função renal.

Barras de cereais

Se existe produto que eu não recomendo aos meus pacientes, então esse alimento é –  as barras de cereais. Ricas em açúcar de rápida absorção, tem tanto de processado como de artificial, que simplesmente nada de benéfico trazem ao organismo, ao não ser uma hiperinsulinemia que faz o pâncreas lamentar as nossas escolhas alimentares.

Iogurtes magros

Os iogurtes magros vieram “salvar” as pessoas desesperadas por emagrecer, pois sabemos que durante um regime alimentar rigoroso a gordura é o inimigo número um, recomendando-se limitar o seu consumo. Vamos as prateleiras frias dos produtos lácteos e parece que entramos num túnel sem fim de tanta variedade que hoje existe. E lemos rótulos porque somos consumidores informados mas parece que as dúvidas são mais e mais confusas. Afinal como escolher? Quando retiramos a gordura de um determinado produto, a sua consistência muda. Perdemos a cremosidade, a textura agradável e saborosa. Para “compensar” de alguma forma a falta dos lípidos e o sabor pobre, acrescenta-se mais açúcar, tornando uma ideia brilhante em algo nutricionalmente devastador. Depois vieram as opções 0% gordura, 0% açúcares adicionados,  os iogurtes “de última geração” que fizeram sucesso no mundo da alimentação. No fundo são copinhos com uma mistura “estranha” de proteínas do leite, água, aditivos, espessantes, aromas e claro adoçantes. Os conceitos “natural” e “saudável” ficaram algures no tempo infelizmente. Recomenda-se contudo escolher iogurtes naturais meio-gordos, onde podemos adicionar ao nosso gosto fruta fresca, sementes ou frutos secos para dar mais sabor. O teor médio de gordura confere também saciedade, um factor importantíssimo a considerar num plano para perda de peso.

Sejam críticos e vivam com saúde!

Nutricionista

Olga Donica

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