Obstipação – Como identificar?


Antes de entender a fisiopatologia da obstipação é importante conhecer o funcionamento normal do nosso intestino. O intestino humano é constituído por: intestino delgado e intestino grosso, estruturas que apresentam diferenças na função e anatomia.

O intestino delgado dispõe de uma área de superfície enorme para a absorção dos nutrientes – as vilosidades e as microvilosidades intestinais. A motilidade do intestino delgado é determinada por ondas lentas, e junto com elas, o movimento do conteúdo intestinal dá-se apenas numa direcção, ou seja, da região oral para a anal. É no intestino delgado que ocorre a maior parte da absorção de nutrientes.

O intestino grosso (cólon) apresenta uma mucosa diferente quando comparado com intestino delgado, pois não tem vilosidades mas sim criptas. A musculatura circular contrai-se de modo irregular e em vários locais, sem nenhum movimento do conteúdo. O transporte, na verdade, ocorre pelos chamados movimentos de massa, poderosas ondas contrácteis que ocorrem uma ou duas vezes ao dia. No cólon verifica-se a absorção de água e de vários minerais.

 

A obstipação é um sintoma que afecta inúmeros indivíduos, podendo ser uma manifestação inicial de várias doenças, nem sempre fáceis de diagnosticar. O trânsito intestinal varia consideravelmente de indivíduo para indivíduo, contudo foi estabelecido que existe obstipação se ocorrerem menos de 3 evacuações semanais.

A definição da obstipação inclui também: dificuldade na evacuação, fezes duras, distensão abdominal ou sensação de evacuação incompleta, dor e feridas na zona do ânus. Algumas pessoas saudáveis evacuam 3 vezes por semana, outras uma vez por dia e outras ainda mais do que uma vez por dia. Todos estes ritmos podem ser considerados normais e saudáveis.

Fale com um profissional de saúde acerca das suas preocupações com o seu trânsito intestinal, sobretudo se tiver queixas ou dor há mais de 2 semanas.

 

 

 

Entre os factores que podem afectar o normal funcionamento intestinal destacam-se: lesões orgânicas, alterações metabólicas, endócrinas ou neurológicas. A obstipação surge ainda frequentemente associada à ingestão de múltiplos fármacos sendo que o próprio uso crónico de laxantes pode por si só induzir obstipação. Os factores fisiológicos também podem estar na origem das queixas, como sejam: o sedentarismo, a idade avançada, a gravidez, o stress, a ansiedade, a supressão da vontade de ir a casa de banho ou como acontece frequentemente, a inexistência de um regime alimentar adequado.

 

 

 

Uma história clínica cuidada deverá ser feita logo no início da avaliação, sendo fundamental uma descrição detalhada da dieta e tipo de vida de cada paciente, bem como o despiste de cirurgias prévias, hábitos medicamentosos, historia familiar de distúrbios intestinais.

 

 

 

O tratamento da obstipação deverá ser individualizado, tendo em conta a duração e a gravidade das queixas, a idade do paciente e a informação dos exames complementares. O ajuste da dieta é a primeira medida terapêutica a ser instituída. Uma ingestão adequada de fibras e água vai permitir um aumento do volume, peso e hidratação das fezes com diminuição da sua consistência, redução do tempo de trânsito intestinal e o aumento da frequência de evacuação. A fibra dietética serve ainda de substrato nutricional à flora bacteriana intestinal, estimulando a sua actividade fermentativa, com produção de ácidos gordos voláteis e ácido láctico que têm por si só, acção laxativa.



O conteúdo do intestino com baixo teor de fibras leva 2 ou 3 dias para transitar pelo cólon, quando comparado com o conteúdo rico em fibras que leva apenas 1 a 2 dias.

O treino dos esfíncteres é frequentemente utilizado como medida terapêutica com o objectivo de conseguir uma evacuação regular, com vista a impedir a retenção fecal prolongada. Tente criar um hábito matinal – ir a casa de banho à mesma hora em cada dia. Os intestinos tendem a funcionar quando nos levantamos, os de algumas pessoas mais rapidamente do que os de outras. Qualquer estímulo adicional de evacuar durante o dia deverá ser satisfeito.

 

A terapêutica com laxantes é, pois, uma opção frequente no tratamento da obstipação. Habitualmente opta-se por laxantes suaves, podendo ser associados com outras medidas terapêuticas.

 

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